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Escrito por Hiroshi Kajiura   
01-Abr-2010

Ontem à noite, foi realizado o culto às almas dos ancestrais, assentadas no altar do Dendotyo, quando relembramos, louvamos e agradecemos pelos méritos deixados por eles, quando em vida.

Em todas as igrejas da Tenrikyo, esse culto é realizado duas vezes por ano, independente do culto às almas específicas.

O ensinamento diz que devemos reconhecer e retribuir os benefícios recebidos de Deus, dos pais e das pessoas. Portanto, em primeiro lugar, precisamos reconhecer os benefícios recebidos dia-a-dia, sentindo a alegria pela vida que temos hoje.

Na indicação de 4 de março de 1894, há um trecho com o seguinte significado:

“Frequentar a igreja a qualquer custo, diz-se isto reconhecer o benefício. Isso será o benefício de si próprio.”

Em outro trecho da indicação de 9 de maio de 1898, consta:

“Por reconhecer o benefício como benefício existe o dia de hoje.”

Mas, se sentimos alegria pelo benefício, precisamos em seguida retribuir.

Foi-nos ensinado que as maneiras de retribuir são o hinokishin, a divulgação do ensinamento, e a ministração de Sazuke às pessoas enfermas, e muitas outras coisas.

Assim, para nós que seguimos este Caminho, foi ensinada a maneira de passarmos o cotidiano, através das escritas, das palavras e da vida-modelo de 50 anos. Se seguirmos dia-a-dia conforme o ensinamento, nossas vidas serão maravilhosas, mais do que agora, por satisfazermos a Deus-Parens, correspondendo ao desejo dele.

No entanto, muitas vezes, consciente ou inconscientemente, não procedemos conforme foi-nos ensinado. Agimos de forma contrária ao ensinamento.

No livro Episódios da Vida de Oyassama, existe a história Escolha do Caqui.

Uma senhora levou uma bandeja cheia de caquis diante de Oyassama, que observava um e outro antes de pegar um deles. Vendo isso, essa senhora pensou: “Até Oyassama escolhe antes de pegar. Mas o que ela pegou foi o que lhe pareceu o pior, e ofereceu a bandeja com os caquis restantes, dizendo: “Pegue um também.”

Vendo isso, a senhora comoveu-se: “É realmente admirável. Ela também escolhe, mas a sua escolha é diferente daquela que nós fazemos. Ela pega o pior para deixar os melhores para os outros.”

Ensinou assim, que ao fazermos as compras, precisamos escolher os produtos piores para que o vendedor não tenha dificuldade para vender o restante.

Eu, quando comecei a fazer compras para oferendas da Cerimônia Mensal e estava escolhendo os produtos na banca da fera, lembrei-me deste episódio, e pensei: “E agora, o que faço?” Logo, me veio à mente: não estou escolhendo para mim, é para as oferendas que estou escolhendo. Mas logo percebi que isso não passava de um argumento. No fundo, eu estava agindo conforme o instinto, de não querer ser prejudicado com produtos estragados. Então, lembrei-me de uma palestra que o mestre Iburi, hoje diretor da Sede, havia feito há muito tempo, aqui no Dendotyo.

Quando ele estava numa igreja de um país, foi fazer as compras da Cerimônia Mensal, e lembrou-se deste episódio. Então, ele pediu para que o dono da banca escolhesse os produtos.

Lembrando-se dessa palestra, comecei a entregar a lista para os donos da bancas de frutas, de legumes e de verduras, pedindo para que eles deixassem separados, que mais tarde iria buscá-los.

Raramente, me mandam produtos estragados. Se encontrar algum, não foi porque eles queriam. Eles também trabalham colocando-se na posição dos compradores.

Talvez até entre em contradição com o que eu disse agora, mas para as oferendas, creio que os produtos devem ser frescos e de boa qualidade. Se fossem para o meu consumo, não me importaria com os restos da feira ou do sacolão, mas as oferendas devem ser feitas com toda a sinceridade.

No episódio de título Sobra de Amazake, consta:

“Se alguém tivesse tocado, mesmo escondido, na refeição de Oyassama, antes de ser servida, por mais que tentasse, ela não conseguia comer, porque a mão que segurava o hashi não se levantava de modo algum.

Certa vez, na frente da Residência dela, chegou um vendedor de amazake. A neta de Oyassama, Tamae, ainda com cinco anos de idade, disse à pessoa que cuidava dela: “vamos comprar amazake para a vovó.” Foi comprado e oferecido a Oyassama, que contente com a bondade da neta, pegou a tigela de anazake. No entanto, ao levá-la à boca, a mão não subia, e Ela não conseguia tomar de jeito nenhum.

Soube-se, mais tarde, que o vendedor havia passado por vários lugares antes de chegar à Residência dela, e o amazake estava em condições iguais à de restos de comida.”

No episódio de título Oferenda com espírito mesquinho, temos:

“Certa vez, uma pessoa levou moti a Oyassama. Mas, antes disso, houve uma discussão na família sobre a quantidade: leve três quilos; não, vamos levar cinco quilos. Oyassama não conseguiu comê-lo, pois o hashi pulava e não levava o moti à sua boca.”

Em nossa igreja, certa vez, na véspera da Cerimônia mensal, guardei os peixes no freezer.

No dia seguinte, quando os tirei para levá-los aos altares, estavam todos estragados. Eu não sabia que minha esposa tinha desligado o freezer. Eu podia ter pedido para alguém ir comprar, mas como estava quase na hora de começar a cerimônia, nesse mês, os altares ficaram sem peixes.

Nessa noite, minha esposa começou a sentir-se mal, na segunda-feira não melhorou, e na terça à tarde foi levada ao hospital e tomou soro. Na quarta-feira não melhorou e na quinta foi novamente tomar soro. No sábado foi internada e ficou por mais dez dias no hospital.

Desse fato, compreende-se que a oferenda não é uma formalidade e nem um ato simbólico. Devemos fazer com toda a sinceridade, agradecendo pela graça que recebemos dia-a-dia e praticar a salvação.

A ministração do Sazuke é de pessoa para pessoa, portanto, a esfera de atuação de um yoboku é limitada. Porém, não devemos nos desanimar com esse fato, devemos ter a esperança, e esforçarmo-nos em levar ao maior número de pessoas o ensinamento.

Cada um deve fazer sua parte, sem esperar muito dos governantes, para a salvação em massa.

Por falar em governo, no mês de dezembro, os dirigentes dos países e pessoas ligadas ao meio-ambiente reuniram-se em Copenhagen, na Dinamarca, para analisar e apresentar soluções para que o planeta não sofra os efeitos do aquecimento global. Dizem as notícias que o Brasil levou 800 pessoas.

Sentaram-se à mesa representantes dos países desenvolvidos, emergentes e subdesenvolvidos. Mas os interesses foram totalmente diferentes. Os desenvolvidos não querem perder sua indústria poluente, e o caminho da sua prosperidade; os emergentes querem seu espaço, enquanto os demais morrem de fome com sua matriz energética poluidora. Pareceu que cada país continuou defendendo apenas o seu interesse.

Ao final do maior encontro diplomático de todos os tempos, após 15 dias de discussões, os líderes chegaram a um acordo tímido e insuficiente para deter as grandes emissões de gases causadores do efeito estufa.

Muitos recursos financeiros foram oferecidos pelos países desenvolvidos para melhorar o clima da Terra. Até o Brasil ofereceu dinheiro.

Há muitas regras no acordo firmado, mas sem nenhuma obrigatoriedade, sem penalidades. O mundo saiu frustrado.

Dois países foram os maiores obstáculos.

Um deles, o maior poluidor do mundo, por não ser desenvolvido, achou que não tem obrigação de cortar as emissões de gases. Outro não quis barrar a sua economia pós-crise, e defendeu um acordo para verificar as ações ambientais em cada país. Assim, transferiram o problema para o ano de 2050.

Mesmo com os alertas dos cientistas e a pressão da opinião pública, os donos do mundo nada decidiram. Se a temperatura do mundo subir mais de 2ºC, haverá o derretimento das calotas polares, o nível dos mares subirá e várias regiões da Terra sumirão, engolindo povos e civilizações.

Parece que defender a vida de 6 bilhões de pessoas não foi a meta da conferência.

As pessoas que participaram dessa conferência são líderes para construírem um mundo mais feliz. Mas todos eles estavam atentos para ver se o tratado traria vantagens para o seu país, e para as empresas de seu país, para as empresas de seu país, e para si próprio.

Quando acontece alguma catástrofe de calamidade pública, como o recente terremoto do Haiti, do Chile, enchentes em vários pontos do país devido ao excesso de chuva, os governos mobilizam-se, mas mais pela obrigação do que pela preocupação.

Suponhamos que um yoboku, um missionário, precisasse salvar, sem distinção, cem pessoas em apuros. Com quem ele começaria? Pela lógica, creio que começaria com a pessoa que estiver mais próxima dele.

Deus não faz distinção entre as pessoas, e não existe distância para Ele, mas acho que Ele atende mais as pessoas que buscam o seu desejo e procedem conforme o ensinado.

Dessa forma, precisamos estar sempre juntos de Deus, buscando o seu desejo, consultando constantemente as escritas originais, a Doutrina, o livro Vida de Oyassama, e demais publicações.

Estar próximo de Deus refere-se à dimensão espiritual, mas devemos praticar isso em atitudes. É bom chegarmos mais próximos do altar, quando entrarmos no recinto da igreja. Há quem possa implicar, dizendo que se para Deus não existe distância, não faz diferença ficar lá fora ou em casa. Mas isso é um jogo de palavras de teimosos.

Sobre isso, temos no episódio Filho à causa da mãe.

A mãe de Issaburo ficou doente e piorando, chegou ao estado crítico. Issaburo esperou clarear o dia e andou quase 5 km e meio, regressou a Jiba, e pediu a Oyassama que salvasse a sua mãe, mas recebeu a resposta de que ela não se salvará.

Issaburo conformou-se e voltou para casa, mas vendo sua mãe sofrer, regressou outra vez à Residência e pediu a Oyassama para que salvasse sua mãe de todo o jeito, e recebeu a mesma resposta: “Lamento muito, mas ela não se salvará.”

Voltou para casa, mas não pôde aguentar vendo sua mãe sofrer.

Pela terceira vez no mesmo dia, andando 5 km e meio, pediu: “sei que é impossível, mas salve-a.” Então Oyassama disse: “o espírito do filho que conduz à causa da mãe já sem esperança, desejando salvá-la de todo o jeito, isto é a sinceridade. Sendo sinceridade, Deus aceitará. A mãe dele foi salva, e viveu até os 88 anos de idade.

O que nos explica este fato?

Quando Issaburo foi pedir a Oyassama, pela primeira vez, creio que ele tinha a sinceridade de querer salvar a mãe. E também na segunda vez. Mas só na terceira vez, Oyassama disse que isto é a sinceridade.

Significa que ele conduziu, que frequentou Jiba  por várias vezes. O ideograma em kanji “conduzir” significa também sorte. Portanto, quanto mais se frequenta Jiba, à igreja que cada qual pertence, mais graça, mais sorte poderá receber. Não é fácil um garoto de 16 anos caminhar 33 km em um dia.

Esta época que se aproximada Cerimônia da Comemoração dos 60 anos da Fundação do Dendotyo é uma época propícia para aproximarmos mais um passo à intenção de Deus, dedicando-nos ao máximo para que esse evento seja um sucesso. Devemos contentar ao shimbashira, o nosso pai espiritual, que estará presente. Contentando-o, contentaremos Oyassama e também Deus-Parens.

 
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