Temos três filhos; o mais velho está na 6ª, a mais velha na 4ª e o caçula na 2ª série, todos vivem diariamente com excelente saúde, em meio a risos e choros.
Ao nosso lado está o meu marido, que sempre nos protege, observando os filhos com o seu amor. E, apesar dos diversos ‘nós’ da vida, estamos saboreando a harmonia familiar, que veio após devolvermos a Deus Parens duas valiosas vidas.
Há 17 anos casei, tornando-me membro da família Shimizu, da Igreja Kurita. E como nunca fora criada numa igreja, recebi o apoio e orientação dos familiares e dos fiéis da igreja. Das inúmeras orientações de Deus Parens, dois ‘nós’ envolveram as vidas de dois de nossos queridos filhos. Mesmo caminhando sem entender direito, acredito que por insistir em buscar e querer compreender o amor parental de Deus é que conseguimos chegar ao dia de hoje.
A primeira valiosa vida... Após me casar, não conseguia engravidar e isso já estava me preocupando, porém, no quarto ano recebi a notícia da gravidez e a alegria foi indescritível.
Passaram-se os meses e enfim chegou o grande dia do parto. Aguardava um bebê cheio de vida, no entanto, para minha tristeza, após 35 minutos de vida o bebê não resistiu e nos deixou. Não soube aceitar essa dura realidade e só chorava em cima da mesa de parto. Após, a enfermeira colocou uma roupinha branca no bebê e aninhou-o em meus braços. Nunca vou me esquecer do calor que ainda restava em seu pequeno corpo.
Meu marido recebeu a triste notícia no local onde realizava o missionamento. Sua primeira atitude foi de reverenciar Jiba e logo veio ao meu encontro. Meu coração se encheu de gratidão por ele ter largado tudo e ido a Jiba reverenciar também por mim. Chegando ao hospital foi ao quarto onde nosso filho se encontrava e o abraçou fortemente. Apesar de termos dado o nosso primeiro abraço ao primeiro filho que nem chorava ou se movia, eu e meu marido gravamos a importância deste momento em nossos corações.
Após este acontecimento, os dias se tornaram insuportáveis. Foram lágrimas e mais lágrimas e houve dias que pensei que não conseguiria me reerguer. Até que meu sogro disse: ‘Foi graças a esta criança que você se tornou mãe, porém não teve virtude suficiente para poder criá-lo. A partir deste momento, acumule virtudes para se tornar capaz de criar o próprio filho e os filhos do caminho’. Assim, fui advertida a ter um espírito humilde, a aprender a colocar o meu espírito abaixo dos fiéis e das pessoas à minha volta. O bebê que retornou, recebeu o nome de Shigueto (no ideograma japonês, ‘seijin’ - evolução espiritual). Foi aos poucos, mas graças ao constante apoio do meu marido, as advertências de como refletir recebidas dos meus sogros e das pessoas ao redor, e, acima de tudo, graças ao braço estendido e da condução de Deus Parens e Oyassama, é que consegui me recuperar.
Dei à luz uma vida e encontrei com o meu bebê. Um acontecimento óbvio, mas, meio às dores, senti o quanto é gratificante. Deparei com a realidade de que havia demorado 4 anos para receber a graça de um bebê e sinceramente senti muita insegurança em engravidar novamente, mas com a graça de Deus, no ano seguinte e exatamente no mesmo mês do ocorrido, dei à luz o nosso segundo filho.
No momento que escutei o seu choro, as lágrimas não paravam de escorrer de tanta emoção. Meu coração transbordava de alegria pelo nascimento de uma nova vida e o fato de estarmos sendo vivificados. Pude sentir mais do que nunca o quanto é gratificante esta visão.
Depois, num intervalo de dois anos recebemos a graça da primogênita e depois do terceiro filho. O nosso lar se de encheu de risos, broncas e nos divertimos muito. Realmente, o dia-a-dia se tornou gratificante.
Porém, alguns meses antes de completar 13 anos desde o retornamento do primogênito, ocorreu mais uma inesperada orientação de Deus.
É a segunda valiosa vida.
Foi no verão e estava com 42 anos de idade. Sentia um leve cansaço e um estado meio febril seguiu por dias. ‘Será...?’ - e o teste de gravidez foi positivo. Espantei-me, mas como já tínhamos passado pela experiência do primogênito, sabíamos o quanto valia uma vida, e ficamos contentes, do fundo do coração. E, como nossas crianças também estavam com idade de compreender a importância de uma vida, contamos-lhes a novidade e combinamos de todos juntos orarmos para que o bebê se desenvolvesse e nascesse sem quaisquer problemas.
As crianças se animaram e discutiam quem iria dar o nome ao bebê. No entanto, passado um mês, no dia do exame periódico, o ginecologista disse: ‘O bebê se desenvolveu conforme o esperado, mas não ouço o seu batimento cardíaco e sequer sinal de vida. Compareça amanhã com o seu marido’. E num instante tudo escureceu.
“Que seja um erro médico ou um sonho ruim.” Porém, as minhas preces não foram atendidas e tive que fazer uma cirurgia de retirada do feto.
Assim, pela segunda vez devolvemos uma valiosa vida. Toda a família sofreu muito; foram dias e noites chorando de tristeza e, também, pedindo perdão e arrependimento pela atitude espiritual.
‘O que será que Oyassama está querendo transmitir?’, ‘Onde há o amor parental de Deus Parens e Oyassama neste acontecimento?’, ‘Por que devolver mais uma vida concedida?’ Refletia e sofria, e com o coração nublado, não conseguia me reerguer.
Num certo dia minha sogra advertiu-me: ‘Tem certeza de que não se esqueceu do sentimento de quando perdeu Shigueto? Não se esqueceu da determinação espiritual feita na época?’
Quando perdemos Shigueto, eu havia prometido que não pediria mais nada, só a concessão de uma nova criança. Esse pedido já foi concedido além do esperado, com a graça de três filhos. O que mais ressoou no fundo do meu coração foi o questionamento de se estou realmente passando o dia-a-dia com alegria.
Havia a razão do amor parental: ‘Talvez a vida de um dos meus 3 filhos teria de ser devolvida a Deus Parens, através de um grande nó. Porém, foi me concedida mais uma vida em meu ventre, salvando a vida deles - um grande mal transformado num pequeno. Com certeza, é o inexplicável amor parental de Deus Parens e de Oyassama’.
Assim, o meu espírito totalmente desanimado foi tomado pelo sentimento de gratidão. Ao pensar na sementinha que tivemos que devolver, foi um grande pesar, mas, passei a pensar de maneira positiva. Ainda, refletindo sobre o fato do coração ter parado, prometi me mover, caminhar.
Conversei com meu marido e ao bebê que retornou demos o nome de ‘Ayumi’ (no ideograma japonês ‘aruku’, ou seja, caminhar).
Vamos caminhar para que possamos nos aproximar do desejo do Parens e, continuamente, nos esforçar a fim de contentá-lo.
‘Caminhada rumo à evolução espiritual (seijin e no ayumi)’. Os dois fatos nos ensinaram o real significado dessa frase. E, graças a essas duas valiosas vidas, hoje possuímos a imagem real da harmonia familiar de nosso lar.
depoimento de: Konomi Shimizu, 43
É formada pela Universidade de Tenri e é esposa
do condutor da Igreja Kurita diretamente ligada a Sede da Igreja.
Jornal Tenri Jiho, de 17 de janeiro de 2010
|