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Quando Oyassama iniciou a divulgação de seus ensinamentos, muitos dos seus seguidores eram lavradores, gente simples que trabalhava com a terra. E, por isso, para facilitar-lhes a compreensão da sua doutrina, Oyassama utilizava, com frequência, metáforas e analogias, nas quais eram citados produtos da natureza, com os quais essas pessoas estavam familiarizadas.
Assim, em uma de suas preciosas preleções, Oyassama comparou os seres humanos a uma castanha, envolvida num duro ouriço e coberta por uma casca cheia de amargor. Porém, sob esses invólucros, a castanha abriga um fruto com delicioso sabor. E o homem também poderia ter esse sabor no espírito se retirar o ouriço e o amargor ouvindo a razão do ensinamento. Na realidade, o que conhecemos como castanha, é um fruto que se desenvolve dentro de uma cápsula cheia de espinhos duros e pontiagudos, chamada de ouriço. A parte comestível da castanha é a sua semente, rica em amido e vitaminas. E esses espinhos que existe no ouriço são um mecanismo de defesa que possuem as castanhas, para proteger suas sementes dos predadores, afastando seus inimigos. Nós, seres humanos, também possuímos espinhos que muitas vezes dificultam a aproximação dos outros – nós acalentamos orgulho, ambições, vaidades e ilusões, e apegamos tanto a esses sentimentos, que eles se tornam pontos sensíveis do nosso espírito. Erguemos uma barreira de proteção em torno deles, e procuramos afastar qualquer pessoa que tente tocá-los. E para manter afastados esses inimigos imaginários, assumimos atitudes agressivas ou pouco amistosas, e nos refugiamos nesse ouriço cheio de espinhos. E ainda que consigamos nos livrar desse ouriço externo, temos uma casca amarga, que são os nossos preconceitos, antipatias e desconfiança, que influenciam nosso comportamento, prejudicado o nosso relacionamento com os semelhantes. Mas abaixo desses espinhos e desta casca amarga, poderemos encontrar um rico nutriente de delicioso sabor, que é o espírito que Deus-Parens concedeu a cada um de nós, cheio de bondade, calor e entusiasmo que, quando em contato com os outros, irá nos fornecer o alimento necessário e indispensável para a nossa vida plena de alegria e felicidade. Oyassama nos ensinou que a verdadeira alegria é aquela que faz animar a todos, e não a que nos permite desfrutar o prazer individualmente. Portanto, a verdadeira felicidade é algo que não pode ser alcançada de maneira isolada. Ela deve ser buscada, necessariamente, no convívio com as pessoas. E esse convívio nos traz não somente alegrias, mas também, aborrecimentos e transtornos. Muitas vezes, o contato com o espinho alheio nos machuca, causando dores e sofrimentos. Mas para sermos felizes, não dispomos de alternativa, precisamos nos aproximar das outras pessoas, enfrentando e aceitando os espinhos e o amargor que elas possuem e, sobretudo, é importante que possamos nos livrar também dos nossos próprios espinhos, para podermos desfrutar mutuamente o sabor delicioso do fruto que trazemos no nosso espírito. Assim, Oyassama nos ensina o ideal da vida, na qual devemos nos esforçar para reformar nosso espírito cheio de espinhos como o ouriço da castanha, para podermos viver a vida plena de alegria e felicidade, mantendo-nos unidos com o espírito redondo, como num cacho de uvas. Esqueçam por completo o espírito cruel E tornem gentil o espírito. Mik. V-5 *é condutor da Igreja Tucuruvi (São Paulo-SP) |