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Minha História - Uma Reflexão_out08 |
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Escrito por Jornal Tenri
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30-Out-2008 |
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Denise Alves (yoboku da Igreja Nampaku)
Este é um relato do inicio da minha caminhada na Tenrikyo até os dias de hoje.Em Junho de 1999 tive um problema de saúde na coluna vertebral, sentia muita dor na perna direita e a coluna ficava lateralizada, quer dizer, eu “andava torta”.Trabalhando no hospital como enfermeira, ao auxiliar um paciente a sentar na poltrona, senti um desconforto na coluna. Ao chegar em casa fiquei de repouso, porém não melhorei. Decidi consultar um médico e após a realização de uma tomografia foi constatada uma hérnia de disco.
O tratamento deste tipo de patologia, dependendo do caso, pode ser conservador ou cirúrgico. Optou-se primeiramente pelo tratamento conservador, várias seções de fisioterapia, porém sem sucesso. Sentia dor nas diferentes atividades: para colocar roupa, tomar banho, evacuar, tossir, andar. Quando estava em repouso, sentia alivio da dor. Então, permanecia imóvel de 6 á 10 horas. A dedicação de minha família foi excepcional, no que se refere aos cuidados e as orações. Tentei protelar ao máximo a cirurgia, porém não agüentava mais o sofrimento e decidimos marcar o procedimento.Em Agosto fiz a primeira cirurgia, mas após um mês eu ainda continuava com dores e andava lateralizada. No primeiro retorno ao médico resolveu-se refazer o procedimento cirúrgico. Eu e minha família ficamos receosas e resolvemos ouvir uma segunda opinião de outro profissional, o qual após análise dos exames recomendou a mesma conduta. Assim, agendou-se o procedimento para final de setembro. Eu estava esperançosa pelo re-estabelecimento e a ansiedade era grande. Porém ao retornar do centro cirúrgico pela segunda vez, não observei nenhuma melhora. Fiquei arrasada e triste. Nos dias que se sucederam, os cabelos começaram a cair aos montes, estava deprimida. Neste momento, a gerente do hospital em que eu trabalhava, ao perceber as dificuldades que eu estava passando, se sensibilizou e perguntou se eu gostaria de avaliada por outro profissional de sua confiança. Aceitei prontamente, e imediatamente ela providenciou o contato. Na primeira consulta, analisando os exames, ele referiu que as cirurgias foram realizadas no local errado, o meu problema era na região lombar L4-L5 e as cirurgias foram realizadas no nível L3 –L4, por este motivo o problema não se resolvia. Nesta hora eu estava incrédula. Como poderia ter ocorrido tal fato? A minha família não acreditava no que tinha acontecido. Como um profissional pode cometer o mesmo erro duas vezes?Enfim, agendamos outra cirurgia, pela terceira vez em dezembro. Desta vez o pós- operatório imediato foi magnífico. Eu ficava em pé, pois a coluna voltou para a posição original, não sentia nenhuma dor, conseguia colocar a roupa sozinha, realizar atividades da vida diária e andar novamente, estava realmente muito feliz. Porém, após uns três dias começou a sair um líquido claro da incisão cirúrgica. Neste contexto, recebo a visita no hospital, de uma amiga querida a Sueli Kimura, a qual se ofereceu a fazer uma oração, era em japonês e confesso que não a entendia. Ela retornou para orar várias vezes nos dias que se seguiram, e eu me sentia feliz com esta atitude. Acredito que, com a graça de Deus e o empenho da equipe médica, tudo se resolveu e eu recebi alta para casa. Dessa forma, após sete meses de afastamento, retornei ao trabalho e a rotina da minha vida, com muita alegria.Este foi o primeiro contato com a Tenrikyo através da visita de uma yoboku no hospital. Profissionalmente, como enfermeira durante muitos anos, pude conviver diariamente com os dramas e os sofrimentos dos pacientes e seus familiares, vivenciei situações de reconciliação e perdão no último instante de vida de uma pessoa, observava na UTI uma busca constante para sobreviverem aos diferentes infortúnios. Porém observava que algumas pessoas passavam, por estas situações de uma forma diferente, mais “calma”, geralmente estas pessoas se amparavam em Deus. Desta forma, na prática, eu percebia que existia algo relacionado com o lado espiritual e as doenças de uma pessoa. Porém na minha formação acadêmica, nunca tinha estudado nada a respeito. Com a reflexão do conteúdo e o entendimento de livros como “Vida de Oyassama” e “A Força do Espirito”, ampliei meus conhecimentos e visão de mundo e me despertei para o assunto... Pude lê-los com atenção, e o segundo foi o que mais “interagiu” comigo. Realmente, a palavra certa é “interagir”, pois parecia que o livro estava conversando comigo. Alguns exemplos e conceitos citados nele, eu percebia em meu dia a dia no hospital. Em 2006, pude realizar um sonho antigo de conhecer o Japão. Preparamos-nos por dois anos.Ao chegarmos em Tenri, senti uma emoção muito forte de felicidade. Achei linda a entrada do Shinden e a arquitetura típica japonesa, sentir o cheiro do tatame, ver centenas de pares de sapatos na entrada e milhares de pessoas fazendo a oração juntas, realmente foi emocionante. A partir daquele instante, aproveitei para aprender ao máximo. Assisti as Preleções do Besseki com muita atenção e me tornei yoboku, visitei os museus da cidade, participei das cerimônias, me relacionei da melhor forma com os moradores da cidade e do alojamento, sempre com um sorriso, pois não falo quase nada em japonês. Enfim, foram 23 dias maravilhosos.Ao voltar para o Brasil, comecei a freqüentar as missas mensais na igreja Nanpaku. Tinha receio de errar os passos do otefuri, porém sempre ouvia palavras carinhosas de estimulo “faça com o coração, pois Deus percebe a nossa sinceridade nas ações”. E assim, se passaram 2 anos...Em janeiro de 2008, ao desejar feliz ano novo para a minha amiga Kioko comentei que este ano eu gostaria de aprender a tocar um instrumento e cantar pelo menos um hino.Eu não imaginava que a minha vida daria uma volta de 180º graus.No mês de Junho, eu me desliguei da empresa que trabalhava para ser seminarista no curso do Shuyokai. O meu objetivo basicamente era de aprender um instrumento e melhorar no otefuri. Porém, o curso foi extraordinário e pude aprender muito além desses objetivos. Nos 28 dias de curso, eu me permiti a realizar uma viagem interna e uma grande reflexão pessoal. Pude mexer e re-mexer o “baú dentro do meu coração”. Retirei muitos cacarecos e os joguei fora, outros estou trabalhando intensamente para melhorar.Hoje, acredito que Deus-Parens e Oyassama foram os grandes responsáveis por esta mudança. Porém não posso esquecer dos professores do Shuyokai: com seus depoimentos de vida e seus exemplos diários; no treino de Otefuri pude entender com o coração cada poema que Oyassama nos ensinou; foi maravilhoso compreender os exemplos da vida modelo de Oyassama e me emocionar com sua coragem e determinação diante da vida; a convivência diária com os colegas e monitores no hinokishin foi inesquecível e de grande aprendizado.Faz um mês que voltei de Bauru e estou praticando o que eu aprendi no curso.Já fiz a primeira lição de casa: conhecer a história dos meus antepassados: modo de vida, profissão, infortúnios, doenças... O kaityo-san e a senhora Sue me ajudaram a identificar os ínens positivos e negativos. Com a ajuda deles, percebi alguns nós da minha história de vida e observei também, alguns brotos.Entendi que com o reconhecimento, da predestinação das gerações anteriores, poderemos reparar mais rápido e extinguir as más sementes com dedicação e determinação. Atualmente, participo do grupo de pessoas da Regional Penha, onde realizo atividades de divulgação, ministro sazuke e faço hinokishin com o objetivo de evoluir espiritualmente.Finalizando, gostaria de agradecer o convite para compartilhar este relato de experiência e dizer que estou muito feliz por trilhar este caminho.
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