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A educação
dos filhos deve ser uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos seres
humanos durante toda a vivência de sua história e desenvolvimento.
Acredito assim
por que também passei e passo por estas dificuldades na criação e educação de
meus filhos – dificuldades variadas e de diversos aspectos. E, tenho convicção
de que não se trata de uma justificativa a esmo, para mim ou terceiros,
atribuindo ou partilhando a responsabilidade com a “história”.
Também,
refletindo com rigor, por outro lado, acho que devo ter dado muito trabalho aos
meus pais.
Na verdade, o desenvolvimento
humano, tanto físico como espiritual, além de gradual, é complexo. A
complexidade do ser humano é um atributo magnificamente singular, próprio da designação
de Deus-Parens pelo o seu desejo de criar a vida plena de alegria e felicidade,
tendo o ser humano não como figurante, mas como personagem principal. E à vida
da figura humana Deus atribuiu ao ser humano um importante fator - o livre-arbítrio.
Absolutamente, subtraindo este
senso livre do ser humano, o caminho para a plenitude espiritual da vida feliz
deixa de existir. O corpo é a matéria emprestada por Deus, tomada empresta pelo ser humano, que com sua a alma
dá vida ao corpo. Além disso, temos o espírito que faz o ser humano viver.
Assim, a vida de qualquer ser humano somente tem razão, por haver o livre-arbítrio
do espírito.
Numa família, em geral os pais sonham,
desejam e têm tantas vontades em nome de seus filhos, considerando-se sempre os
aspectos positivos e de austeridade, mas, acabam confrontando com o senso
legítimo do próprio livre-arbítrio.
O verdadeiro educador nunca
limita e minimiza a liberdade, o sonho e
o caminho da maturidade de seus discípulos em prol do próprio.
Há tempos aprendi uma teoria em
que o ciclo do ensino-aprendizagem se fecha não quando o aluno aprende o
conteúdo transmitido pelo professor, mas apenas quando absorve o conceito de
também podê-lo ensinar adequadamente a terceiros. E como temos o costume de
apenas “ensinar” as nossas vontades (verdades) aos outros, acabamos gerando uma
das causas importantes dos conflitos entre pais e filhos, que é o assunto de
nossa reflexão, mas que certamente é também causa de inúmeros problemas
mundiais.
Uma reflexão é forçar o merecimento
(ensinar impondo a “força” de sua vontade. Outra, é fazer por merecer (ensinar,
sendo um padrão a ser copiado). Na prática é saber retratar o “merecimento” em
todas as ações-problema.
Na Tenrikyo, como padrão de reflexão
e ação temos a vida-modelo de Oyassama,
que é um almanaque para todas as dúvidas e não uma simples coincidência com os
fatos presentes, pois, trata-se do ensinamento do próprio Deus-Parens, através
de seu sacrário-vivo, a Oyassama.
Então, por que não deixar o
livre-arbítrio dos filhos fluírem naturalmente? Se tiver dúvidas, então,
primeiro, reprove-se a si mesmo.
Certa vez ouvi: o filho tem um espírito bom, mas deveria se
esforçar em ter um pouco mais de ambição, para não se deixar aproveitar pelos
amigos.
Quando necessitarmos nos macular
por porções de poeiras espirituais pelo motivo de acreditarmos e confiarmos
ingênua e sinceramente nas pessoas, provavelmente os nossos envolvimentos com
as cogitações ordinárias de um ser humano terão passado do limite.
Sempre que desviarmos do caminho
divino, da vida-modelo de Oyassama, Deus dá o recado adequado e no momento
certo.
O desejo de ter uma vida
tranqüila, sentindo-se feliz e observando os filhos rumando por um caminho firme
e correto, não significa deixar as coisas fluírem sem rumo ou amparo. No papel
de educadores, quando os filhos se sentirem desorientadores, haverá momentos em
que se aconchegarão ao abraço parental sem constrangimentos.
Assim, confiemos o tato pessoal à
intenção divina. O rumo da vida não se modificará apenas pelo desejo simplório
de um ser humano. Entretanto, se este sonho visar a verdadeira vida feliz e o desenvolvimento
espiritual adequado para se atingir tal objetivo, sem qualquer dúvida, Deus
agirá de forma a estabelecer o objetivo, razão única de nossa vida - viver
felizes e dar felicidade aos próximos, ajudando-se mutuamente. Neste ponto, diz-se
que Deus contentar-se-á com os seus filhos e manifestará risos de alegria e
satisfação.
*Yoboku da Igreja Bauru e responsável pelo São Paulo
Tenri Kaikan
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