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Aprendendo a educar os filhos Imprimir E-mail
Escrito por Eduardo Yoshinobu Otake*   
01-Jan-2008

            A educação dos filhos deve ser uma das grandes dificuldades enfrentadas pelos seres humanos durante toda a vivência de sua história e desenvolvimento.

            Acredito assim por que também passei e passo por estas dificuldades na criação e educação de meus filhos – dificuldades variadas e de diversos aspectos. E, tenho convicção de que não se trata de uma justificativa a esmo, para mim ou terceiros, atribuindo ou partilhando a responsabilidade com a “história”.             Também, refletindo com rigor, por outro lado, acho que devo ter dado muito trabalho aos meus pais.

Na verdade, o desenvolvimento humano, tanto físico como espiritual, além de gradual, é complexo. A complexidade do ser humano é um atributo magnificamente singular, próprio da designação de Deus-Parens pelo o seu desejo de criar a vida plena de alegria e felicidade, tendo o ser humano não como figurante, mas como personagem principal. E à vida da figura humana Deus atribuiu ao ser humano um importante fator - o livre-arbítrio.

Absolutamente, subtraindo este senso livre do ser humano, o caminho para a plenitude espiritual da vida feliz deixa de existir. O corpo é a matéria emprestada por Deus, tomada  empresta pelo ser humano, que com sua a alma dá vida ao corpo. Além disso, temos o espírito que faz o ser humano viver. Assim, a vida de qualquer ser humano somente tem razão, por haver o livre-arbítrio do espírito.

Numa família, em geral os pais sonham, desejam e têm tantas vontades em nome de seus filhos, considerando-se sempre os aspectos positivos e de austeridade, mas, acabam confrontando com o senso legítimo do próprio livre-arbítrio.

O verdadeiro educador nunca limita e  minimiza a liberdade, o sonho e o caminho da maturidade de seus discípulos em prol do próprio.

Há tempos aprendi uma teoria em que o ciclo do ensino-aprendizagem se fecha não quando o aluno aprende o conteúdo transmitido pelo professor, mas apenas quando absorve o conceito de também podê-lo ensinar adequadamente a terceiros. E como temos o costume de apenas “ensinar” as nossas vontades (verdades) aos outros, acabamos gerando uma das causas importantes dos conflitos entre pais e filhos, que é o assunto de nossa reflexão, mas que certamente é também causa de inúmeros problemas mundiais.

Uma reflexão é forçar o merecimento (ensinar impondo a “força” de sua vontade. Outra, é fazer por merecer (ensinar, sendo um padrão a ser copiado). Na prática é saber retratar o “merecimento” em todas as ações-problema.

Na Tenrikyo, como padrão de reflexão e ação temos a vida-modelo de Oyassama, que é um almanaque para todas as dúvidas e não uma simples coincidência com os fatos presentes, pois, trata-se do ensinamento do próprio Deus-Parens, através de seu sacrário-vivo, a Oyassama.

Então, por que não deixar o livre-arbítrio dos filhos fluírem naturalmente? Se tiver dúvidas, então, primeiro, reprove-se a si mesmo.

Certa vez ouvi: o filho tem um espírito bom, mas deveria se esforçar em ter um pouco mais de ambição, para não se deixar aproveitar pelos amigos.

Quando necessitarmos nos macular por porções de poeiras espirituais pelo motivo de acreditarmos e confiarmos ingênua e sinceramente nas pessoas, provavelmente os nossos envolvimentos com as cogitações ordinárias de um ser humano terão passado do limite.

Sempre que desviarmos do caminho divino, da vida-modelo de Oyassama, Deus dá o recado adequado e no momento certo.

O desejo de ter uma vida tranqüila, sentindo-se feliz e observando os filhos rumando por um caminho firme e correto, não significa deixar as coisas fluírem sem rumo ou amparo. No papel de educadores, quando os filhos se sentirem desorientadores, haverá momentos em que se aconchegarão ao abraço parental sem constrangimentos.

Assim, confiemos o tato pessoal à intenção divina. O rumo da vida não se modificará apenas pelo desejo simplório de um ser humano. Entretanto, se este sonho visar a verdadeira vida feliz e o desenvolvimento espiritual adequado para se atingir tal objetivo, sem qualquer dúvida, Deus agirá de forma a estabelecer o objetivo, razão única de nossa vida - viver felizes e dar felicidade aos próximos, ajudando-se mutuamente. Neste ponto, diz-se que Deus contentar-se-á com os seus filhos e manifestará risos de alegria e satisfação.

*Yoboku da Igreja Bauru e responsável pelo São Paulo Tenri Kaikan

 
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